Mercado Imobiliário em Lisboa Resiste à Pandemia

Contra as piores previsões, o mercado imobiliário nacional tem dado continuadas provas de elevada resiliência perante a pandemia. A evolução de preços constata precisamente um saldo positivo ao longo do ano de 2020, sendo ainda possível identificar com precisão o efeito do confinamento e posterior desconfinamento nos valores praticados.

Se dúvidas válidas existiam por parte de diversos quadrantes relativamente ao desempenho de um segmento que é um pilar da economia nacional, estas terão sido dissipadas em inúmeras ocasiões ao longo do último ano.

Valores de Venda Ainda Impressionam 

É precisamente na capital que os valores praticados no imobiliário se destacam. Com uma variação modesta de preços ao longo do período entre dezembro de 2019 e 2020, a evolução refletiu-se, na prática, num crescimento do valor médio de venda de €551.607 para €557.595.

O efeito da pandemia neste segmento em particular refletiu-se nomeadamente nos seguintes valores:

● No início de 2020, os preços registavam um aumento de 1,3%;

● Com o início do confinamento, essa evolução abrandou para uns ainda positivos 0,15%;

● No período de desconfinamento, os valores observados cresciam marginalmente em 0,01%;

● No final de 2020, os valores praticados observavam uma retoma de 2,57%.

Ao contrário do que seria expetável, o mercado imobiliário da capital não viu, no segmento de venda, momentos abaixo da linha de água. A expectativa global é que uma vez vencida a crise pandémica, a evolução de preços no imobiliário volte a disparar, caso outros fatores não pesem, tal como o final das moratórias de crédito.

Arrendamento dá Sinais Mistos

Os preços do arrendamento da capital viram ao longo do último ano um decréscimo acentuado na ordem dos -13,9% conforme indica o mais recente barómetro de preços do portal de referência Imovirtual. Em termos práticos, os valores médios de €1.531 de finais de 2019 traduziam-se um ano depois em €1.319.

Ao contrário do cenário observado no mercado de venda, os valores apresentaram uma quebra acentuada logo no início de 2020 na ordem dos -9,8%, vendo um agravar para -10,5% no aplicar do confinamento. Já no desconfinamento, quaisquer perspetivas positivas foram defraudadas, tendo os preços afundado -16%.

Esta correção em baixa do mercado de arrendamento na capital é em grande parte fruto da suspensão da atividade turística. Inundada por imóveis agora vazios, muitos proprietários viram-se forçados a adaptar o seu modelo de negócio para o mercado de arrendamento a médio e longo prazo.

Para aqueles que procuram habitação na capital, a vantagem é óbvia. Não só a oferta passou a ser maior, como os preços praticados se tornaram ligeiramente mais acessíveis. Desta forma, existe um regresso dos portugueses à capital, impulsionado e redefinido pelas limitações da pandemia.

O futuro do sector imobiliário em Portugal poderá em breve regressar aos números de crescimento galopante. Lisboa, em particular, continua a atrair a atenção de grandes grupos de investimento que estão empenhados em modernizar a oferta habitacional da cidade.

Resta aguardar para testemunhar o efeito do turismo no mercado de arrendamento. Para aqueles que ainda desejam viver na cidade, esta janela temporal poderá ser uma oportunidade única para investir antes que os preços retomem um crescimento difícil de acompanhar.